Interrogatório Policial
(By Teresinha Moreira – 21/04/2012)
Numa tarde chuvosa e fria, recebi uma intimação para comparecer a
delegacia de polícia para ser interrogada pelo delegado senhor Dagoberto, para
responder a todas as perguntas sobre um crime assustador ocorrido na noite de
sexta feira treze do mês de Agosto de 2010. Ao chegar a delegacia fui convidada
a entrar na sala do delegado, onde havia duas mesas, uma ocupada pelo Delegado
de Polícia Dagoberto e o Escrivão de Polícia, o senhor Juarez.
O senhor Dagoberto deu ordem para que eu sentasse e iniciou o
interrogatório.
Dagoberto: Boa tarde senhora Terezinha, posso começar a fazer
algumas perguntas? A senhora está preparada para ser interrogada?
Terezinha: Boa tarde senhor delegado, pode começar a me
interrogar.
Dagoberto: O que a senhora estava fazendo na madrugada de sexta
feira dia 13 de Agosto?
Terezinha: Senhor delegado, eu estava com muita insônia nesta
noite, afinal era sexta feira e estava muito apreensiva, pois meu filho estava
para chegar de um voo de Angola, então ao me levantar para ir ao banheiro às
cinco horas e quarenta minutos, escutei alguns ruídos no quintal da minha
residência.
Dagoberto: Você sabe explicar esses ruídos?
Terezinha: Parecia ser passos doutor.
Dagoberto: E por que a senhora não tomou nenhuma outra atitude?
Terezinha: Até que terminasse minha higiêne pessoal, percebi que
silenciou o barulho, então resolvi ir até a porta da minha residência para ver
o que havia acontecido, afinal a curiosidade tomou conta de mim, percebi que
não havia mais ninguém no corredor.
Dagoberto: Então, o que você viu?
Terezinha: Quando abri a porta da minha casa, havia um homem morto
na soleira da minha porta, todo ensanguentado.
Dagoberto: Como você sabia que ele estava morto?
Terezinha: Senhor delegado, com muito cuidado para não se
contaminar, coloquei o dedo em seu corpo e percebi que ele estava frio e
rígido, então vi que era um cadáver,
Dagoberto: E o que fez?
Terezinha: Corri para o telefone e disquei para a polícia, que
veio imediatamente e encaminhou o corpo para o IML.
Dagoberto: Só isso que aconteceu naquela noite?
Terezinha: Sim doutor, é só o que eu tenho a dizer?
Dagoberto: Dona Terezinha, por hoje serão apenas estas perguntas,
mas peço que permaneça na cidade, se precisar viajar peça autorização, pois
precisarei interrogá-la novamente, caso não ache o suspeito, a senhora é a
primeira suspeita do crime.
Terezinha: Senhor Dagoberto, o senhor acha que eu seria capaz de
marta aquele homem?
Dagoberto: Não disse nada, por enquanto são só hipóteses. A
senhora já está dispensada.
Então sai da delegacia, aflita, pois nunca tinha me deparado com
uma situação tão aterrorizante na minha vida, jamais vou esquecer aquela noite
de sexta feira treze do mês de agosto, em que encontrei um cadáver na soleira
da minha porta.
Interrogatório Policial
(By Roseli Garcia –
22/04/2012)
Entra o
homem na delegacia para prestar seu depoimento ao delegado, enquanto o escrivão
registra as informações coletadas pelo delegado.
Delegado:
seu nome completo, endereço e profissão, por favor.
Depoente:
Epaminondas Abelardo Barbosa, Rua das Azaleias nº 71 apartamento 35, Bloco B,
Jd das Esmeraldas. Sou Fotógrafo.
Delegado Pimenta: O que o senhor fez na noite do dia 13 de abril de 2005, noite
anterior ao crime?
Sr. Epaminondas:
cheguei do trabalho por volta das 19:00 horas, tomei um banho, fui assistir ao
telejornal enquanto esperava por uma pizza que chegou por volta das 22:00
horas. Após o jantar, me preparei para dormir, pois teria uma longa jornada de
trabalho no dia seguinte.
Delegado Pimenta: A que horas o senhor acordou no dia seguinte e o que aconteceu até o
momento em que o senhor se deparou com o cadáver?
Sr. Epaminondas: Acordei por volta das 6:00 horas e comecei a realizar minha
higienização, conforme meu costume, quando ouvi a campainha. Surpreso, pelo
horário, cautelosamente, abri a porta. Qual foi minha surpresa de encontrar um
homem caído no chão. Apavorado olhei aos arredores, mas não vi ninguém,
abaixei-me, toquei no corpo e percebi que já estava sem vida. Imediatamente,
liguei para a polícia.
Delegado Pimenta: O senhor conhecia a vítima?
Sr. Epaminondas: infelizmente, sim. Era um colega de faculdade que por uma questão de
ética, nos mantivemos afastados.
Delegado Pimenta : Sr Epaminondas, esclareça o porquê de terem se afastado.
Sr. Epaminondas: Éramos quatro amigos, tínhamos um projeto de faculdade que poderia
tornar revolucionária a indústria do mundo cinematográfico. Este projeto
consistia em utilizar imagens holográficas em três dimensões que interagiria
com o público como se realmente estivessem conversando. Estávamos na fase final
do projeto quando Romildo descobriu que Adalberto, outro dos quatro amigos,
havia roubado parte do plano do projeto e vendido para uma empresa
cinematográfica em Hollywood. A questão foi que Romildo tentou chantagear
Adalberto, pedindo parte do dinheiro que recebera para não levá-lo à prisão.
Acuado, Adalberto precisava arrumar um jeito para que Romildo não o entregasse,
nem tivesse acesso às informações que estavam em seu poder. Há dias, Adalberto
entrou em contato comigo pedindo para
que eu guardasse em meu cofre um envelope que continha um fita cassete, um
cartão de memória e um bilhete endereçado a mim, pedindo desculpas pelos erros
que cometera e com o número da conta de um banco nas Ilhas Cayman.
Roney,
nosso outro amigo, no dia seguinte, curiosamente, ligou em meu celular
perguntando se Adalberto havia me entregado algo. Tentei ser evasivo, mas
confesso que, por ter sido pego de surpresa, tenho dúvidas se fui realmente
convincente pela resposta negativa que dei.
Delegado Pimenta: como o senhor explica o fato da vítima ter sido colocada na soleira de
seu apartamento?
Sr. Epaminondas: parece que está sendo feita uma trama para me incriminar, pois eu
saindo de cena, o caminho fica livre para quem quer chegar às informações que
recebi, consequentemente ao dinheiro. Adalberto, infelizmente, foi apenas a
primeira peça desse jogo.
Delegado Pimenta: por que o Sr. acha que seu amigo Adalberto lhe procurou para entregar
estes documentos e não um dos outros três?
Sr. Epaminondas: acredito que o fato de eu ter me afastado deles, fez com que confiasse
mais em mim que nos outros, provavelmente.
Delegado Pimenta: o senhor declara que não tem nada a ver com este crime?
Sr. Epaminondas:
sim, senhor, declaro!
Delegado Pimenta: por hora, vou dispensar o senhor, mas, não saia da cidade sem minha
autorização. Se o Sr. desobedecer, automaticamente, o porei na lista de
suspeitos, tenha uma boa tarde.
Sr
Epaminondas deixa a delegacia com ar de preocupação.
Delegado
Pimenta comenta com seu escrivão: “esta história não está bem contada, esse
cara vai me dar trabalho!”